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Bitcoin é Reserva de Valor ou Meio de Troca?

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Bitcoin: A Falsa Dicotomia entre Reserva de Valor e Meio de Troca

O debate sobre a natureza do Bitcoin — se ele serve primariamente como uma reserva de valor (RV) ou um meio de troca (MT) — é frequentemente apresentado como uma dicotomia mutuamente exclusiva. No entanto, a análise do Bitcoin e da história monetária sugere que essa distinção é fundamentalmente falsa e que o valor de um ativo reside precisamente na convergência dessas duas funções.

A Inseparabilidade Conceitual

De acordo com a perspectiva apresentada no vídeo, a utilização do Bitcoin como reserva de valor ou meio de troca não é exclusiva. Conceitualmente, essas categorias são inseparáveis: não existe reserva de valor sem um meio de troca, e vice-versa. A razão essencial para isso é que não há valor sem troca.

Um ativo que funciona como reserva de valor é, na verdade, um meio de troca transacionado em câmera lenta. Essa negociação é diacrônica, envolvendo o mesmo ativo (por exemplo, Bitcoin) em dois momentos distintos no tempo. Quando se armazena valor, espera-se que o preço futuro real do ativo exceda o preço atual, permitindo que se troque menos dele por mais coisas no futuro. As propriedades que tornam o Bitcoin uma boa reserva de valor são sua durabilidade e características deflacionárias.

Por outro lado, o meio de troca facilita a negociação sincrônica (no mesmo tempo) entre diferentes ativos. Para funcionar como um meio de troca eficaz, um ativo precisa ser divisível, portátil e fungível, além de descentralizado e resistente à censura.

É crucial notar que essas qualidades se pressupõem mutuamente. Sem alguma durabilidade, um meio de troca perde seu valor. Da mesma forma, uma reserva de valor que nunca é negociada não possui um valor real detectável. A durabilidade do ouro, por exemplo, é o que o torna um meio de troca melhor do que o sódio, que se corrói facilmente.

Lições da História Monetária

A história fornece vastas evidências de que a convergência entre reserva de valor e meio de troca tem sido a norma por milênios.

Na Idade do Bronze, os lingotes de Couro de Boi (o “Bitcoin da idade de bronze”) continham cobre ou estanho e eram trocados por todo o Mediterrâneo. Devido à alta demanda e durabilidade, eles serviam tanto para armazenar valor (reservas em tempos de prosperidade) quanto para obter liquidez (troca rápida em tempos de necessidade).

O ouro, embora inicialmente usado apenas para fins decorativos, tornou-se um meio de troca eficaz quando as moedas padronizadas surgiram, cerca de mil anos após os lingotes de cobre. A padronização tornou o ouro fungível, aumentando a velocidade de negociação e aproximando seus usos como RV e MT.

Mesmo o dólar americano, embora hoje seja uma moeda fiduciária estatal inflacionária, foi inicialmente consagrado na Constituição e indexado à prata e ao ouro. Esse lastro explorava o contexto histórico em que os metais preciosos eram reconhecidos como funcionando simultaneamente como meios de troca e reservas de valor. Embora o padrão-ouro tenha sido abandonado, o dólar continua sendo a reserva cambial global dominante (cerca de 60% das reservas), demonstrando sua resiliência como reserva de valor e meio de troca.

Bitcoin na Economia Real e o Desafio da Volatilidade

A alegação de que o Bitcoin é apenas uma reserva de valor e não um meio de troca é pseudociência. As transações na rede comprovam sua função como meio de troca: em 2022, cerca de 14,9 trilhões de dólares equivalentes em pagamentos foram liquidados com Bitcoin.

Além disso, a existência de mais de um em cada dez bitcoins em contas de corretoras (exchanges) — representando bilhões de dólares — é intrigante, considerando que a autocustódia é um princípio fundamental para a soberania do Bitcoin. A razão é simples: essas corretoras facilitam a negociação, o que é desnecessário se o ativo fosse apenas para armazenamento frio.

O uso do Bitcoin por grandes empresas globais, como Balenciaga, Ferrari e PayPal, refuta a ideia de que ele é apenas um nicho para “Tech Boys”. Empresas como a Atoms, que aceitam Bitcoin como pagamento, frequentemente o mantêm como reserva de valor e só o negociam quando surge uma necessidade, provando que o Bitcoin real é tanto RV quanto MT, dependendo apenas do contexto de uso.

Um obstáculo prático ao seu uso como meio de troca é a volatilidade de preço, que torna difícil para consumidores gastar e varejistas aceitar, especialmente para aqueles com pouca riqueza ou renda disponível. No entanto, a tese é que quanto mais pessoas usarem o Bitcoin como meio de troca (aumentando a frequência das transações e precificando bens nele), mais sua curva de preço se estabilizará em relação a outros ativos.

A evolução da experiência do usuário (UX), exemplificada pela Lightning Network (que aumenta a velocidade máxima de negociação) e a infraestrutura digital existente (smartphones), sugere uma adoção acelerada do Bitcoin como meio de troca. O bom dinheiro sempre serviu a ambas as funções, e o Bitcoin, como o mais recente descendente dessa linhagem, tem espaço para crescer em ambas.

A Liberdade de Escolha

O vídeo critica a “pregação” de que o Bitcoin deve ser usado exclusivamente como reserva de valor, sugerindo que tais discursos podem beneficiar aqueles que já acumularam o ativo, alimentando a demanda global por aquilo que eles podem fornecer.

No entanto, a beleza do “dinheiro da liberdade” reside na autonomia individual: ninguém pode dizer ao usuário como utilizá-lo. O valor do Bitcoin depende do que todos os seus usuários fazem coletivamente, e não da visão de figuras isoladas. O Bitcoin é flexível o suficiente para atender às diversas necessidades dos indivíduos, sejam elas de guardar valor para o futuro ou de realizar pagamentos imediatos.

Se o Bitcoin fosse um cofre em um banco, seria inútil se ninguém pudesse usá-lo para comprar ou vender algo. Ele se torna uma reserva de valor porque as pessoas o aceitam (meio de troca) e o aceitam porque ele mantém o valor (reserva de valor). Como duas faces da mesma moeda, o Bitcoin é forte porque atende a ambas as funções simultaneamente.

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Autonomia e a Busca pela Verdade: Reflexões sobre Liberdade, Mente e Soberania Individual

O encontro entre Renato Trezoitão e Lara Nesteruk, conforme registrado nos excertos da transcrição, revelou um diálogo multifacetado e incisivo que transcende os temas convencionais, abordando filosofia, finanças pessoais, saúde e a crise dos valores sociais. Ambos os convidados compartilham valores centrais como a liberdade, a rejeição ao discurso estabelecido e a aversão à imposição, posicionando-se como indivíduos que buscam a verdade e frequentemente oferecem seus conteúdos sem custo.

O Imperativo da Liberdade Individual e a Crítica ao Estado

A conversa é marcada por uma profunda desilusão com o sistema político e uma ênfase na responsabilidade individual. Argumenta-se que a única forma de combater o crime e a “vagabundagem” é alinhar as motivações corretamente, reconhecendo a salvação individual através da meritocracia.

O voto na urna é considerado ineficaz, com a chance de ser decisivo sendo “menor que ganhar na megacena”. O “voto real” é aquele que se exerce através do consumo e da poupança; cada centavo consumido ou poupado modifica a realidade física do mundo, afetando desde a remuneração dos produtores até a quantidade de bens disponíveis. Lara Nesteruk, por sua vez, afirma que sua mensagem se concentra no que o indivíduo pode fazer por si mesmo, que é mais importante do que o potencial de ação por uma coletividade que sequer se conhece.

Filosoficamente, o diálogo abraça o liberalismo e o objetivismo. A rejeição ao discurso estabelecido é um valor central. Em relação ao comunismo, Renato e Lara apontam que, embora o objetivo final dos comunistas (um mundo sem Estado—anarquismo) possa ser semelhante ao do libertário, o caminho proposto é violento e resulta na “ditadura do proletariado que não acaba nunca e mata todo mundo”. Eles defendem a igualdade formal, onde o tratamento é formalmente igualitário, baseado no comportamento e não em algo que a pessoa é.

Há uma crítica explícita ao sistema público americano, com o conselho irônico de “mam[ar] até sair sangue” no welfare (assistência social) do país, já que se o indivíduo não utilizar, alguém o fará, e isso será usado contra ele.

Soberania Financeira, Autocustódia e Bitcoin

O Bitcoin emerge como a principal ferramenta para a soberania individual e a luta contra a corrupção estatal. Para Lara, o Bitcoin não é encarado como um investimento, mas sim como dinheiro onde o patrimônio está guardado em segurança, sendo algo que “ninguém tira”. A autocustódia—o controle exclusivo das chaves privadas—é a única maneira eficaz de combater a ditadura e evitar financiar corruptos.

O valor da moeda está diretamente relacionado às escolhas morais. O acúmulo em uma moeda que desvaloriza encoraja o oportunismo em vez da cooperação, levando a ciclos de colapso de valores e da fecundidade (preferência temporal alta). A importância da autocustódia é tamanha que dispositivos físicos indestrutíveis de registro de chaves (como placas de aço) são apresentados para garantir a segurança dos ativos através de gerações.

A Batalha Interna: Mente, Corpo e Aceleração Terapêutica

A discussão sobre saúde e bem-estar conecta profundamente o físico ao mental, introduzindo conceitos como preferência temporal e a influência da dieta na cognição.

A preferência temporal—a capacidade de renunciar ao presente pelo futuro—é considerada mais determinante para o sucesso, saúde e felicidade do que o próprio Quociente de Inteligência (QI).

Em termos de saúde, a discussão aborda o jejum intermitente e dietas como a carnívora:

  1. Dieta e Cognição: Dietas com excesso de carboidratos levam à superprodução de insulina, causando letargia. O jejum, por sua vez, aguça os sentidos e aumenta a acuidade e a rapidez do raciocínio, pois o corpo entra em estado de alerta. Benefícios como perda de peso, aumento da atenção, redução de doenças autoimunes e aumento da longevidade são observados a partir de 16 horas de jejum.
  2. Mindset e Fisiologia: O hormônio grelina, que regula a fome, é manipulável não apenas pelo que se come, mas pelo que se pensa. Um estudo demonstrou que a percepção de estar consumindo um milkshake calórico gerava mais satisfação (maior secreção de grelina) do que a percepção de um milkshake magro, mesmo quando o conteúdo calórico era idêntico. Essa “mentalidade” é poderosa o suficiente para modificar a secreção hormonal.
  3. Terapia Acelerada: Para superar compulsões alimentares e traumas, a terapia é indispensável, pois o problema “nunca era técnico,” mas sim a incapacidade de dizer “não” a hábitos destrutivos. O uso de substâncias como Quetamina, DMT e Ibogaína é mencionado como um catalisador terapêutico. Lara relata que o que ela realizou em uma sessão de Quetamina teria levado seis anos de terapia convencional, acelerando drasticamente o processo de cura e de compreensão de traumas reprimidos.

Reflexões sobre Família e Motivações

A vida pessoal de Lara Nesteruk traz uma reflexão sobre as consequências de priorizar a carreira. Ela expressa arrependimento por ter aceitado o discurso feminista de que dinheiro era o mais importante e percebe que já era tarde para construir uma base familiar estável e ter filhos, lamentando a ausência de alguém que a chame de mãe.

O diálogo então se aprofunda sobre as estruturas familiares:

  • Dote e Estabilidade: A sugestão de reintroduzir o dote (dote) nos casamentos é feita para mudar as motivações. Se o homem tiver que pagar entre dois e cinco anos do salário como dote, ele pensará várias vezes antes de trair ou abandonar a família.
  • Paternidade Voluntária: Argumenta-se que a paternidade, para ser moral, deve ser voluntária e que a imposição de paternidade (mesmo biológica) é ilegítima e violenta, sendo o fim de famílias estruturadas a obrigatoriedade da pensão e o direito de bastardos.
  • Amor e Adoção: As relações mais fortes são as voluntárias. A adoção é vista como um ato de vontade e afeto, superior à mera conexão genética.

O artigo reflete que a chave para uma vida resolvida reside na auto-responsabilidade e na aceitação de que, embora existam caminhos difíceis (a “porta estreita”), eles são necessários para a salvação individual e o crescimento. A busca por liberdade e soberania, seja financeira (Bitcoin) ou corporal (dieta/mente), é o caminho para o indivíduo ser mais útil, mais rico e menos violento na sociedade.

A vida é comparada a um processo de seleção natural, onde é necessário ser responsável pelas próprias ações e enfrentar as consequências, pois o aprendizado mais eficaz ocorre quando o erro “dói no seu bolso”. Isso sublinha que a verdadeira evolução vem da tentativa e erro, e não da dependência de terceiros ou de sistemas falhos.

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