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A Mente do Hacker Ético: Negócios e Disciplina

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A Jornada do Hacker Ético: De Engenharia Abandonada a CEO Multimilionário

O vídeo apresenta João Brasio, um dos 10 melhores hackers do mundo eleito 10 vezes pelos rankings do Google e Facebook, cuja trajetória é uma reflexão profunda sobre empreendedorismo, ética, disciplina e o futuro da cibersegurança. Aos 22 anos, Brasio largou a faculdade de Engenharia da Computação e transformou seu talento em uma profissão ética, ajudando grandes corporações e órgãos públicos a se protegerem de ataques cibernéticos.

A Ética no Mundo Digital

Brasio é o CEO e fundador da Elitron, uma das principais empresas de cibersegurança da América Latina, atendendo clientes como a Apple, Microsoft, Google, Polícia Federal, Supremo Tribunal Federal, além de pelo menos cinco dos 20 maiores bancos do Brasil, bolsa de valores, aeroportos e Forças Armadas.

A diferença crucial entre o hacker ético e o hacker criminoso reside no objetivo final: ambos detêm as mesmas técnicas. O hacker ético, ou “hacker do bem”, identifica problemas e fragilidades, estuda-os e elabora um relatório de inteligência, mostrando ao cliente como solucionar a brecha. Ele usa a analogia de detectar as portas abertas, avisar o dono da casa para fechá-las e não deixar a chave debaixo do tapete.

Em contrapartida, o hacker não ético (ou cracker) aproveita esse “super poder” para obter vantagem ilícita, como roubar dinheiro, realizar chantagens (ransomware), ou alterar notas em faculdades. O dano causado por ataques pode ser catastrófico e extremamente caro; Brasio cita o caso da Jaguar Land Rover, que teve que ser socorrida pelo governo inglês em quase R$ 6 bilhões, demonstrando que o ataque não é apenas “reinstalar o software”. A prevenção, com tickets mensais que podem começar em R$ 30 mil (para empresas médias), é infinitamente mais barata do que a remediação, que pode custar dezenas de vezes mais, ou seja, o custo de um ano de remediação poderia cobrir décadas de preventivo.

Empreendedorismo, Resiliência e Grandes Recusas

Apesar do sucesso atual, a jornada de Brasio foi marcada por perseverança e resiliência. Ele entrou na faculdade em 2006, mas começou a consumir conteúdo sobre hacking de forma autodidata e largou o curso, pois o currículo não supria seu interesse na área. O primeiro ano da faculdade foi importante para sua “alfabetização”, mas depois ele aprendeu a “escrever [sua] própria redação”.

Em 2012, ele recebeu uma proposta irrecusável do Google: uma vaga no Vale do Silício ou na Suíça com salário de $18 mil (R$ 100 mil na época). Aos 20 e poucos anos, ele rejeitou a oferta, o que o fez ser tratado como um “idiota” e “insano” por muitos, que viam a oportunidade como o “bilhete premiado da Mega-Sena”. No entanto, ele tinha um plano de vida diferente e acreditava que havia “algo maior para construir”, suportando anos de julgamento.

Ele fundou sua primeira empresa de consultoria de segurança da informação, a White Hat Hackers, mas percebeu que a palavra “hackers” no nome não funcionava bem, criando resistência nos clientes — um exemplo de como detalhes, como o nome, podem fadá-lo ao fracasso. Ele se descreve como um “empreendedor e falidor serial” por quase uma década, fundando e falindo várias empresas de TI. Ele só viu o negócio virar uma empresa de fato após quase oito anos.

Seu primeiro milhão foi alcançado aos 24 anos.

O Poder do Networking e da Gestão Executiva

Brasio atua hoje como um executivo, deixando a parte técnica há cerca de um ano e meio. Ele enfatiza que para escalar, o empreendedor precisa sair do operacional e ir para o estratégico, delegando e confiando em gente competente. A “economia burra” de não pagar o que os colaboradores merecem impede a delegação e o crescimento.

O networking é o “oxigênio” para o seu negócio. Em um mercado de cibersegurança onde a confiança é primordial e vendas não dependem de anúncios (ADS), sentar-se às mesas certas e ser referendado por pessoas confiáveis é essencial. Brasio afirma que ter um produto mais ou menos e ter para quem vender é preferível a ter o melhor produto e não ter rede de contatos.

Ele também é um investidor serial, com mais de 40 CNPJs em diversos ramos, como hotéis, academias, clínicas médicas e usinas fotovoltaicas. Ele aloca a maior parte de seu tempo na Elitron, mas diversifica os investimentos para proteger-se dos ciclos econômicos (juros, política, economia) e estar presente em todos os segmentos.

Disciplina, Foco e Prioridades Pessoais

Para manter a alta performance, Brasio elege a disciplina como o valor primordial. Ele trabalha 18 horas por dia, 7 dias por semana, o que é exaustivo, mas traz plenitude. Sua rotina é metodicamente organizada em torno de uma pirâmide de valores, na seguinte ordem: Deus, Família, Trabalho e Exercício Físico. Ele é “neurótico” em relação ao treino e diz que não ter tempo é uma “mentira, falácia”. Ele aprendeu que, embora possa haver momentos de desequilíbrio na construção de um negócio (work life balance), não se deve deixar o tempo passar demais para corrigir esse balanço.

Para aqueles que buscam sucesso, ele aconselha evitar o imediatismo e a falta de foco. É preciso ser perseverante e saber que haverá quedas e erros no caminho, que devem ser ressignificados como aprendizado. Ele também alerta sobre a ansiedade gerada pela comparação nas redes sociais, afirmando que grande parte do que é visto (70% a 90% dos casos) é mentira ou construído sobre fundações fracas.

O Futuro da Elitron e da Segurança

A Elitron planeja um IPO nos Estados Unidos até o fim da década (entre 2029 e 2030), focando em M&As de empresas com produtos para complementar a consultoria. A empresa atende centenas de clientes globalmente, com um time enxuto de cerca de 60 colaboradores. A visão para o futuro da cibersegurança no Brasil é que o tema atinja a maturidade, tornando-se algo natural em todas as empresas, onde todos os colaboradores, do recepcionista ao diretor, entendam sua parte na proteção.

Ao lidar com informações pessoais no mundo digital, como o uso do ChatGPT, Brasio expressa cautela: ele não confiaria uma quantidade massiva de seus dados a eles ou a nenhuma outra empresa similar. Ele adverte que, “quando o serviço é de graça, você é o produto”, e aceitar os termos de uso de muitas redes sociais ou aplicativos significa entregar muito de si para que o serviço monetize o usuário.

O legado que João Brasio busca deixar é provar que é possível alcançar grandes resultados (seu objetivo pessoal é 1 bilhão de dólares na pessoa física) de forma honesta, ética e sem atalhos, construindo uma fundação concreta.


Para entender a importância da disciplina em um universo de constantes falhas e aprendizados, o caminho de João Brasio se assemelha a um jogador de xadrez que não se importa com a perda de algumas peças iniciais, contanto que mantenha o foco na vitória final: cada derrota é uma lição aprendida que fortalece a estratégia de longo prazo, permitindo que ele jogue o “jogo de xadrez” que moldou sua vida pessoal e profissional, como o planejamento estratégico para conhecer sua atual namorada.

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