É de arrepiar!

Turbulência nos Céus: Violência em Aeroportos e Aviões

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Artigo para Reflexão: O Aumento da Violência em Aeroportos e Aviões no Brasil

As cenas de conflito e violência em aeroportos e a bordo de aeronaves têm se tornado cada vez mais frequentes no Brasil, com um aumento de quase 90% no número de incidentes entre janeiro e julho deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, totalizando cerca de mil conflitos. Esses episódios, que variam de racismo e abusos a agressões físicas e depredação, revelam uma tensão crescente no ambiente da aviação, exigindo uma profunda reflexão sobre suas causas e as soluções necessárias para garantir a segurança e o bem-estar de todos.

O Ambiente Estressante dos Aeroportos e as Faíscas do Conflito

Um aeroporto é, por natureza, um local estressante. Checagem de peso, vistoria de bagagens, documentos esquecidos, o excesso de barulho, luz e informação, e o ambiente confinado são fatores que contribuem para um cenário de alta pressão. Falhas, tanto das pessoas quanto das empresas, são inevitáveis e podem desencadear reações extremas. Situações como um passageiro que não notou a mudança de portão de embarque e decide bloquear a passagem, ou um estrangeiro que tenta forçar a antecipação de seu voo, demonstram como frustrações individuais podem rapidamente escalar para atos de indisciplina e violência. Há casos extremos como o de uma passageira que, após perder o voo, descontou sua raiva depredando o aeroporto de Viracopos, usando suas sandálias para bater em objetos, ou João Batista Ramos, que, com o embarque finalizado, tentou forçar sua entrada com gritos e destruição no aeroporto de Vitória. André Burlamac, por sua vez, ignorou uma área exclusiva de funcionários e lançou um pedestal de ferro contra um segurança após um problema no embarque de seus filhos no aeroporto de Pelotas.

Muitas vezes, a causa não é apenas um atraso simples, mas uma série de eventos que testam a paciência dos passageiros, que podem estar lidando com um compromisso inadiável, a espera de um paciente, um casamento, ou até um adeus. O psicólogo e ex-comissário de bordo explica que um passageiro indisciplinado frequentemente acredita ser a exceção em um processo rigoroso de embarque. Curiosamente, a grande maioria das pessoas que “explodem” e cometem crimes nesses ambientes não possui antecedentes criminais.

O Impacto nos Profissionais da Aviação

Os profissionais da aviação, como atendentes e comissários de bordo, são frequentemente o “rosto” da companhia e se tornam o alvo direto da agressividade dos passageiros. Eles são treinados para não reagir, tentar acalmar e abafar a situação. No entanto, essa agressividade que não encontra um “expoente externo” pode se voltar para dentro dos próprios profissionais. A situação é agravada pelo fato de que profissionais da aviação não podem tomar antidepressivos ou ansiolíticos, pois esses medicamentos afetariam a concentração, a memória e a tomada de decisão, aspectos cruciais para a segurança do voo. Incidentes como a comissária que teve os dedos dobrados para trás por um soco de um passageiro agressivo ilustram o risco físico direto que esses profissionais enfrentam.

Respostas da Tripulação e a Importância da Comunicação

A segurança do voo é primordial e, uma vez que a porta do avião é fechada, a tripulação está no comando. Existem regras claras, como a proibição de acesso à cabine do piloto, de fumar, e a necessidade de seguir os avisos luminosos para apertar o cinto. No entanto, há também “etiquetas” não escritas, como o uso de fones de ouvido para música e a prioridade do apoio de mão para o passageiro do meio, que frequentemente causam atrito.

O treinamento dos tripulantes inclui técnicas para evitar que as situações saiam do controle. A abordagem inicial é de simpatia e oferta de ajuda, perguntando se o passageiro precisa de algo, como um copo de água. É incentivado o uso de comunicação com “mãos à mostra” e conversas no “nível dos olhos” para apaziguar ânimos. Se a polidez não for suficiente, os comissários combinam antecipadamente uma parte do corpo que cada um imobilizará como último recurso físico. Em casos de conflito entre passageiros, a tripulação não pode tomar partido, buscando resolver a questão com técnicas de apaziguamento para ambos ou, se necessário, separá-los.

Tecnologia, Contexto e a Falta de Consequências Efetivas

Os celulares aumentaram a visibilidade dos conflitos, com muitos passageiros usando câmeras para “acuar” outros ou expor empresas. No entanto, um treinador de tripulantes alerta que muitos vídeos tiram a cena do contexto, o que pode distorcer a percepção pública.

Um ponto crítico é a falta de consequências efetivas para passageiros indisciplinados no Brasil. Atualmente, um passageiro que tenta fumar a bordo ou agride um comissário pode, no dia seguinte, comprar outra passagem e voar em outro voo. Esta situação contrasta fortemente com o que acontece nos Estados Unidos e na Europa, onde passageiros indisciplinados podem ser banidos de voar por um período. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABR) defende a implementação de medidas semelhantes. A Agência Nacional de Aviação (ANAC) informou que sua proposta de regulamentação sobre passageiros indisciplinados está em fase avançada e passa por ajustes finais internos, o que é um passo importante para coibir esses comportamentos. A norma atual proíbe objetos que ofereçam risco no avião, mas pessoas “explosivas” ainda passam livremente pelos aeroportos.

Conclusão

O aumento alarmante dos conflitos em aeroportos e aviões não é apenas um problema de ordem pública, mas um reflexo da complexidade do comportamento humano em ambientes de alta pressão. A necessidade de regulamentações mais robustas, que prevejam a proibição de voar para passageiros que cometem atos de violência e indisciplina, é evidente. Além disso, é crucial valorizar e proteger os profissionais da aviação, que estão na linha de frente desses incidentes. Ao refletir sobre esses casos, somos levados a questionar não apenas as normas e procedimentos, mas também a responsabilidade individual de cada passageiro em contribuir para um ambiente de viagem seguro e respeitoso para todos.

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