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Estudo sobre o livro de Marcos: capítulo 14

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 A Traição, a Última Ceia e a Agonia no Getsêmani

O capítulo 14 do Evangelho de Marcos narra eventos cruciais que precederam a crucificação de Jesus: a conspiração para matá-lo, a unção em Betânia, a preparação e celebração da Última Ceia com seus discípulos, a agonia e a traição no Getsêmani, e a prisão de Jesus. Este capítulo revela a crescente hostilidade contra Jesus, seu profundo amor e preocupação por seus seguidores, e sua submissão à vontade do Pai.

O capítulo se inicia dois dias antes da Festa da Páscoa e dos Pães Ázimos, com os principais sacerdotes e os mestres da lei tramando secretamente como prender Jesus à traição e matá-lo (Marcos 14:1-2). Eles temiam uma revolta popular durante a festa, o que demonstra a influência que Jesus exercia sobre o povo.

Em contraste com essa conspiração sombria, Marcos apresenta uma cena de profunda devoção em Betânia, na casa de Simão, o leproso (Marcos 14:3-9). Enquanto Jesus estava à mesa, uma mulher chega com um vaso de alabastro contendo um perfume muito caro, de nardo puro, e o derrama sobre a cabeça dele. Alguns dos presentes indignam-se com o que consideram um desperdício, argumentando que o perfume poderia ter sido vendido por um alto preço e o dinheiro dado aos pobres. No entanto, Jesus defende a ação da mulher, interpretando-a como uma preparação para o seu sepultamento e declarando que onde quer que o evangelho seja pregado, a memória do que ela fez será contada. Este ato de unção prefigura a morte de Jesus e reconhece sua identidade messiânica.

A narrativa então se volta para a traição de Judas Iscariotes (Marcos 14:10-11). Judas, um dos doze discípulos, oferece-se aos principais sacerdotes para entregar Jesus. Eles ficam muito contentes e prometem lhe dar dinheiro, e a partir daquele momento, Judas procura uma oportunidade para o entregar. A motivação exata de Judas permanece um mistério, mas a ganância é frequentemente apontada como um fator.

A preparação para a celebração da Páscoa é detalhada em Marcos 14:12-16. No primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, quando o cordeiro pascal era sacrificado, Jesus envia dois de seus discípulos com instruções específicas para preparar a ceia. Eles deveriam seguir um homem carregando um cântaro de água e dizer ao dono da casa que o Mestre perguntava onde era a sala em que poderia comer a Páscoa com seus discípulos. O dono da casa lhes mostraria um grande cenáculo mobiliado e pronto. Os discípulos seguem as instruções e preparam a Páscoa.

A celebração da Última Ceia é um momento de profunda significado (Marcos 14:17-26). Ao anoitecer, Jesus chega com os Doze. Durante a refeição, Jesus revela que um deles o trairá (Marcos 14:18). Os discípulos ficam profundamente tristes e perguntam um por um: “Sou eu?”. Jesus responde que é um dos Doze, aquele que come com ele no mesmo prato, citando uma profecia do Salmo 41:9. Ele lamenta o destino do traidor, mas afirma que o Filho do homem vai conforme está escrito.

Durante a ceia, Jesus institui a Nova Aliança com seus discípulos. Tomando o pão, dá graças, parte-o e lhes dá, dizendo: “Isto é o meu corpo”. Em seguida, tomando o cálice, dando graças, o oferece a eles, e todos bebem. Jesus diz: “Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos” (Marcos 14:22-24). Ele também fala sobre não beber mais do fruto da videira até o dia em que beber o vinho novo no Reino de Deus. Este ato estabelece a Eucaristia (ou Santa Ceia) como um memorial do sacrifício de Jesus e um símbolo da nova relação entre Deus e a humanidade através do seu sangue derramado.

Após cantarem um hino, Jesus e seus discípulos vão para o Monte das Oliveiras (Marcos 14:26). Jesus prediz que todos eles o abandonarão naquela noite, citando a profecia de Zacarias 13:7: “Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão”. Pedro, com sua característica impulsividade, declara que jamais o abandonará, mesmo que todos os outros o façam (Marcos 14:29). Jesus responde com uma previsão solene: “Em verdade lhe digo que hoje, esta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes” (Marcos 14:30). Pedro insiste veementemente que, mesmo que tenha que morrer com ele, jamais o negará, e todos os outros discípulos dizem o mesmo.

Chegando ao Getsêmani, Jesus leva consigo Pedro, Tiago e João e começa a sentir-se profundamente angustiado e perturbado (Marcos 14:32-42). Ele lhes diz: “A minha alma está profundamente triste, numa tristeza mortal. Fiquem aqui e vigiem”. Afastando-se um pouco, Jesus se prostra e ora para que, se possível, aquela hora fosse afastada dele. Ele clama: “Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; contudo, não seja o que eu quero, mas o que tu queres” (Marcos 14:36).1 Esta oração revela a luta interna de Jesus entre o seu desejo humano de evitar o sofrimento e a sua total submissão à vontade de Deus.

Jesus volta três vezes aos seus discípulos e os encontra dormindo, repreendendo Pedro por não conseguir vigiar nem por uma hora. Sua agonia se intensifica, e sua oração se repete. Finalmente, após a terceira oração, Jesus acorda seus discípulos e declara: “Basta! Chegou a hora! Vejam, o Filho do homem está sendo entregue nas mãos de pecadores. Levantem-se! Vamos! Aí vem o meu traidor!” (Marcos 14:41-42).

Enquanto Jesus ainda falava, Judas, um dos Doze, chega com uma multidão armada com espadas e varas, enviada pelos principais sacerdotes, os mestres da lei e os anciãos (Marcos 14:43-52). Judas tinha combinado um sinal com eles: aquele a quem beijasse seria Jesus, e eles deveriam prendê-lo e levá-lo com segurança. Judas aproxima-se de Jesus e o beija, dizendo: “Mestre!”. Imediatamente, prendem Jesus e o seguram. Um dos que estavam perto de Jesus saca a espada e fere o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha. Jesus repreende a violência, questionando por que vieram prendê-lo como se fosse um bandido, quando ele estava diariamente ensinando no templo. Então, todos os discípulos o abandonam e fogem. Um jovem, vestindo apenas um lençol de linho, segue Jesus, mas quando tentam prendê-lo, ele larga o lençol e foge nu.

Marcos 14 é um capítulo carregado de emoção e significado teológico. Ele destaca a humanidade de Jesus em sua angústia no Getsêmani, sua obediência inabalável à vontade do Pai, a profundidade de seu amor ao instituir a Última Ceia, e a dolorosa realidade da traição e do abandono por aqueles que o seguiam. Estes eventos preparam o cenário para o clímax da narrativa evangélica: a paixão e a crucificação de Jesus.

Link para o capítulo na Bíblia Online (ACF): Marcos 14 

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