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Surto de Doença de Chagas no açaí faz mais vítimas no Brasil

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Informações atualizadas em 08/02/26

Este artigo explora as principais ideias apresentadas no vídeo sobre o recente surto de doença de Chagas relacionado ao consumo de açaí, detalhando os riscos, as formas de transmissão e as medidas de segurança.

O Surto Atual e a Localização

Recentemente, o Ministério da Saúde reconheceu um surto de doença de Chagas concentrado no estado do Pará, especificamente na cidade de Ananindeua. O surto tem gerado preocupação nacional, pois o Pará é responsável por cerca de 93% da produção de açaí no Brasil, tendo produzido aproximadamente 1,7 milhão de toneladas em 2022.

O que é a Doença de Chagas e Seus Sintomas

A doença de Chagas é uma infecção causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Ela pode se manifestar de duas formas:

  • Fase Aguda: É a que está ocorrendo no surto atual. Os sintomas podem surgir rapidamente e incluem febre, dor de cabeça, fraqueza intensa, inchaço no rosto e pernas, aumento do baço e do fígado, além de inflamações graves no coração e no cérebro. Nesta fase, o indivíduo pode vir a óbito em poucas semanas.
  • Fase Crônica: Manifesta-se geralmente de 10 a 20 anos após a infecção inicial, onde o parasita compromete a atividade cardíaca.

A doença é particularmente perigosa para crianças e idosos, devido à menor imunidade ou força do organismo para combater o parasita.

Formas de Transmissão

A transmissão tradicional ocorre através do inseto conhecido como barbeiro. O barbeiro se alimenta de sangue e, após picar a pessoa, deposita fezes infectadas próximas à ferida. Ao coçar o local, a pessoa introduz o parasita em sua corrente sanguínea.

No entanto, o surto no Pará está ligado à transmissão oral, que acontece quando alimentos, como o açaí ou o caldo de cana, são preparados sem a higiene adequada. Isso ocorre quando o fruto entra em contato com o inseto barbeiro ou com suas fezes durante o processamento artesanal.

O Risco no Consumo de Açaí

Um dos maiores perigos destacados nas fontes é que a contaminação não é visível a olho nu. O parasita é microscópico e não altera a cor, o cheiro ou o gosto do açaí.

Apesar do medo coletivo, as fontes esclarecem pontos importantes sobre a segurança do alimento:

  1. Açaí Industrializado (Pasteurizado): O risco para quem consome açaí fora da região Norte, especialmente o comprado em supermercados ou lojas de outras regiões, é considerado muito baixo (próximo de zero). Isso ocorre porque esse produto passa por um processo de aquecimento/pasteurização exigido pelas normas sanitárias, o que elimina o parasita e outros microrganismos.
  2. Açaí Artesanal: O perigo reside no consumo de açaí fresco e recém-moído em pontos de venda locais no Pará que não seguem os critérios rigorosos de limpeza e fiscalização.

Combate à Desinformação e Ações Governamentais

As fontes enfatizam a necessidade de combater fake news que afirmam que todo o açaí do país estaria contaminado. Até o momento, o Ministério da Saúde não emitiu alerta nacional para evitar o consumo fora do Pará, pois os casos estão restritos a surtos locais por processamento artesanal.

O governo do Pará tem respondido através da intensificação da fiscalização nos pontos de venda artesanais e da disseminação de informações nas mídias para que a população evite o consumo de produtos sem procedência garantida. Além disso, os órgãos de saúde estão monitorando ativamente os casos registrados para oferecer o tratamento necessário.


O Perigo Silencioso no seu Freezer: A Verdade sobre o Açaí e a Doença de Chagas

Um surto recente ocorrido em janeiro de 2026, na região metropolitana de Belém do Pará, acendeu um alerta vermelho para os consumidores de açaí: quatro mortes em apenas 28 dias. O culpado não é o fruto em si, mas a contaminação pelo parasita Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas, que agora é transmitida majoritariamente por via oral através do consumo de alimentos contaminados.

A Mudança no Perfil da Doença

Historicamente associada à picada do inseto “barbeiro” em casas de pau a pique, a doença de Chagas mudou seu perfil de transmissão. Atualmente, 69% dos casos no Brasil ocorrem por transmissão oral, e 95% desses casos estão concentrados na região Norte. O barbeiro, que vive nas palmeiras de açaí, acaba sendo esmagado junto com o fruto durante o processamento, levando o parasita diretamente para a polpa.

O Perigo das Três Fases da Doença

A doença de Chagas é conhecida como “doença silenciosa” e se manifesta em três estágios:

  1. Fase Aguda: Dura de 4 a 8 semanas e é frequentemente confundida com gripe ou virose (febre e dores no corpo). Se não diagnosticada, pode ser fatal precocemente, como nos casos de Ronald (26 anos) e Maria Luísa (11 anos) citados na fonte.
  2. Fase Indeterminada: O sistema imunológico controla o parasita, que se esconde nas células do coração e do intestino. Esta fase pode durar décadas, funcionando como uma “bomba-relógio” sem sintomas.
  3. Fase Crônica: O parasita “acorda” e destrói os tecidos. No coração, causa a miocardiopatia chagásica, dilatando o órgão e causando insuficiência cardíaca ou morte súbita. No sistema digestivo, pode causar o megaesôfago e o megacólon.

O Mito do Congelamento

Um dos maiores erros apontados é acreditar que o freezer torna o açaí seguro. Pesquisas da Unicamp e da UFPA demonstram que:

  • O parasita sobrevive por 48 horas em temperatura ambiente.
  • Resiste por 6 dias (144 horas) na geladeira a 4°C.
  • Permanece vivo mesmo após 26 horas em um freezer a -20°C.

Como Consumir com Segurança: O Método de 10 Segundos

A única forma de garantir a eliminação do parasita é através do calor. A técnica de branqueamento ou choque térmico, desenvolvida pela Embrapa, consiste em submeter o fruto a uma temperatura entre 80°C e 90°C por apenas 10 segundos, seguido de resfriamento rápido. O parasita não sobrevive a temperaturas acima de 45°C. Além disso, a pasteurização industrial e a lavagem com hipoclorito de sódio são métodos eficazes de controle.

Açaí: De Superalimento a Bomba Calórica

Quando processado corretamente, o açaí é um superalimento poderoso, contendo:

  • 33 vezes mais antocianinas (antioxidantes) que o vinho tinto, ajudando a prevenir danos cerebrais e Alzheimer.
  • Capacidade de reduzir o colesterol LDL e agir como vasodilatador.
  • Riqueza em vitaminas (A, C, E, complexo B) e minerais.

No entanto, o açaí puro tem apenas 60 calorias por 100g, enquanto as versões comerciais, repletas de xarope de guaraná e coberturas doces, podem chegar a 400 calorias por 100g, tornando-se um risco para o fígado gorduroso e para diabéticos.

Conclusão e Prevenção

O diagnóstico precoce é fundamental, pois os medicamentos atuais (benznidazol e nifurtimox) são quase 100% eficazes na fase aguda. O próprio Dr. André Vambber, autor do relato, descobriu-se infectado pelo consumo de açaí e conseguiu a cura após anos de tratamento.

A lição fundamental para o consumidor é: sempre pergunte se o açaí é pasteurizado antes de comprar. A falta de informação, e não o fruto, é o verdadeiro vilão.

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