Operação Resolução Absoluta: Entre a Eficiência Militar e a Incerteza de uma Nação
A captura de Nicolás Maduro, batizada pelo Pentágono como Operação Resolução Absoluta, representa não apenas um marco tático sem precedentes na América Latina, mas um complexo dilema sobre soberania, justiça e o custo da estabilidade regional. O evento, ocorrido na madrugada de 3 de janeiro, demonstrou uma superioridade tecnológica esmagadora dos Estados Unidos, que em pouco mais de duas horas neutralizaram as defesas de um país inteiro para capturar seu líder no Forte Tiuna.
A Anatomia de uma Captura Cirúrgica
O sucesso da missão fundamentou-se em uma combinação de tecnologia stealth e inteligência infiltrada. O uso de caças F-35, invisíveis aos radares, e de sistemas de guerra eletrônica que “cegaram” os centros de comando venezuelanos, tornou obsoletos os sistemas de defesa russos que custaram centenas de milhões de dólares à Venezuela. Mais do que a força bruta, a operação foi definida pela precisão psicológica: a imagem de Maduro sob privação sensorial, usando fones e óculos de proteção em um navio de guerra, foi projetada para enviar a mensagem de que ele não era mais um chefe de Estado, mas um “criminoso comum” sob custódia.
O Vácuo de Poder e o Tabuleiro Geopolítico
A rapidez da operação deixou a Venezuela em um estado de paralisia política, com três figuras disputando o controle: Delcy Rodríguez (interina), Vladimir Padrino López (militar) e Edmundo González (oposição no exílio). No entanto, a declaração de Donald Trump de que os EUA poderiam governar a Venezuela diretamente até uma transição, envolvendo empresas petrolíferas americanas, levanta o cenário mais problemático para especialistas. Esse modelo de intervenção evoca precedentes desastrosos como o Iraque, o Afeganistão e a Líbia, onde a queda de um regime resultou em décadas de caos e violência.
No plano internacional, a operação revelou a fragilidade das alianças venezuelanas:
- China e Rússia: Apesar de serem os maiores credores e fornecedores militares, ambas as potências limitaram-se a condenações diplomáticas, evitando um confronto direto com Washington e, na prática, abandonando Maduro à sua própria sorte.
- Brasil: O governo brasileiro, através de Lula, manifestou a reação mais forte da região, classificando os bombardeios como uma afronta gravíssima à soberania e expressando profunda preocupação com a crise humanitária e o fluxo migratório em Roraima.
Reflexão sobre as Consequências
A eficácia militar da Operação Resolução Absoluta é indiscutível sob o ponto de vista técnico: nenhum soldado americano morreu e o objetivo foi cumprido com rapidez cirúrgica. Contudo, o artigo propõe uma reflexão sobre o “dia seguinte”. Como as fontes indicam, capturar um presidente levou duas horas, mas reconstruir um país pode levar décadas.
A mensagem enviada por Washington de que a região é seu “quintal” e que as regras mudaram para líderes acusados de narcoterrorismo é clara. Entretanto, resta a dúvida se essa ação trará a liberdade prometida pela oposição ou se mergulhará a Venezuela em um vácuo de legitimidade onde os recursos naturais do país serão o foco principal, em detrimento da autodeterminação de seu povo. O sucesso tático de hoje pode ser o desafio humanitário e político de amanhã.
Deixe um comentário