O especialista Dr. José Antônio Milagre, advogado e perito especialista em fraudes online e crimes cibernéticos, elaborou uma lista anual dos principais golpes digitais, que ele classifica em ordem de prioridade (o que considera mais catastrófico e prejudicial).

A seguir, a lista dos 21 principais golpes digitais previstos para lesar financeiramente brasileiros (e audiências em Portugal e Angola) em 2026, conforme elencado na fonte:

  1. Golpe do GOVBR e acessos governamentais: Criminosos obtêm acesso à conta GOV.BR da vítima para solicitar empréstimos, alterar dados, acessar informações fiscais, emitir procurações, consultar o INSS e manipular serviços públicos. É classificado como o golpe número um que “vai detonar em 2026”.
  2. Falsas centrais de banco Ftex e exchanges: Simula o atendimento oficial de bancos e plataformas financeiras, utilizando voz sobre IP para mascarar o número do banco, centrais clonadas, e induzindo a vítima a instalar aplicativos remotos (como NDESK ou TeamViewer) ou a movimentar o dinheiro para uma conta de segurança.
  3. Golpes envolvendo o poder judiciário ou o chamado golpe do advogado: Estelionatários se passam por advogados, servidores ou oficiais de justiça, explorando o nome do judiciário, enviando decisões adulteradas com cobrança de custas, links de sentenças clonados e até realizando audiências falsas por vídeo-chamada.
  4. O romance c (golpe do romance): Um golpe afetivo-financeiro que continua em alta em 2026, envolvendo perfis e aplicativos de relacionamento. Os golpistas usam deep fake, fotos roubadas e constroem vínculo emocional para induzir a vítima a investir em criptomoedas.
  5. Entrega Correios Detran energia e cobranças falsas: Golpes que simulam notificações, multas ou pendências de serviços via SMS ou WhatsApp, usando dados vazados, páginas falsas e QR codes maliciosos, muitas vezes cobrando taxas de entrega.
  6. Furtos de identidade (facial attacks com selfie, videos e deep fake): Utiliza a capacidade da Inteligência Artificial (IA) para criar conteúdo realista, roubando a biometria da vítima (selfies, vídeos, documentos) para abertura de contas, empresas, empréstimos e serviços, simulando vivacidade na imagem para verificações.
  7. Falsas promoções e anúncios com deep fakes de famosos: Divulgado por anúncios pagos em plataformas oficiais, usando deep fakes e IA para simular celebridades promovendo investimentos, produtos ou rentabilidade diária, direcionando a vítima para sites falsos.
  8. A extorção sexual (sextortion): Perfis falsos iniciam conversas íntimas, gravam vídeo-chamadas sem o consentimento da pessoa e, em seguida, fazem chantagem, muitas vezes fingindo ser menores de idade ou usando perfis falsos de pais, delegados e advogados para extorquir.
  9. As famosas plataformas de trading, os botes de IA falso: Plataformas fraudulentas de investimento que criam sites com gráficos manipulados, lucros falsos e usam influenciadores pagos. Bloqueiam o saque da vítima e solicitam impostos para liberar o dinheiro, sinalizando que a vítima já caiu no golpe.
  10. Golpe das tarefas (a renda extra): Promete dinheiro para avaliar negócios ou curtir perfis. A vítima faz pequenos depósitos e recebe pagamentos iniciais, sendo induzida a investir valores maiores até que o site desaparece. Embora já tenha sido o primeiro na lista em anos anteriores, caiu para a 10ª posição.
  11. Ligação muda: Ocorre a captura da voz da vítima por inteligência artificial. O criminoso liga, ninguém fala, e a gravação de falas (como “alô”) é usada para reproduzir a voz da vítima em plataformas, o que pode ser utilizado para contratos ou reservas online.
  12. As Robocus fraudulentas (chamadas automáticas): Ligações automáticas que imitam órgãos públicos ou empresas, citando CPF, pendências, impostos ou segurança, e induzem a vítima a digitar senhas ou ligar para centrais falsas.
  13. WhatsApp e redes sociais clonadas: Envolvem o sequestro da sessão do WhatsApp (geralmente por meio da obtenção do código de seis dígitos, ou clonagem de chip) e a clonagem de redes sociais para vender produtos em nome da vítima e lesar terceiros.
  14. Boleto falso: Os criminosos alteram boletos legítimos (interceptando PDFs via e-mail ou vazamento de informações) para desviar pagamentos. Eles adulteram o código de barras ou criam páginas falsas com a identidade visual de empresas/bancos.
  15. Golpe do Pix por engano: O criminoso envia um comprovante falso alegando pagamento errado e faz pressão emocional para que a vítima devolva o valor rapidamente via Pix. Em seguida, ele aciona o MED/MAP por fraude, e o dinheiro sai dobrado, uma vez que o valor devolvido pela vítima e o valor original (nunca enviado) são subtraídos.
  16. Golpe do suporte técnico falso: Simula suporte oficial (de bancos, Microsoft, Apple, Google, Meta). A vítima recebe um pop-up ou alerta falso de vírus e é induzida a instalar um aplicativo remoto.
  17. Golpe do leilão ou da loja do marketplace falso: Sites falsos vendendo carros, motos, eletrônicos ou roupas, impulsionados por anúncios de mega promoção. Os criminosos criam sites profissionais, contratos falsos e depoimentos comprados, pressionando por pagamento imediato via Pix.
  18. Golpe do falso emprego recrutamento: Simula vagas de emprego e processos seletivos por meio de perfis falsos (no LinkedIn e outras redes) e exige pagamentos de cursos obrigatórios ou certificados para que a vítima avance nas fases.
  19. Golpe das assinaturas involuntárias ou aplicativos maliciosos: Aplicativos falsos que fazem a vítima contratar serviços sem perceber, gerando cobranças recorrentes, capturando dados e causando prejuízos contínuos.
  20. Golpe do QCode malicioso: QR codes adulterados colocados em restaurantes, estacionamentos, eventos ou até mesmo no carro da vítima (simulando multas), que direcionam a vítima a aplicativos maliciosos, sites fraudulentos ou vírus.
  21. Fraudes com ECPF ECNPJ e certificados emitidos em nome da vítima: Um golpe emergente e altamente sofisticado no qual criminosos, de posse de dados pessoais, conseguem fraudar a validação de uma autoridade de registro e emitem certificados legítimos (e-CNPJ, e-CPF, etc.) em nome da vítima sem seu conhecimento. Com esse certificado, o criminoso pode abrir empresas, assinar documentos, obter crédito e praticar fraudes fiscais, sendo o ato juridicamente válido até ser contestado.

O crime digital no Brasil é frequentemente mais criativo do que técnico, e esses golpes são eleitos com base na probabilidade de serem os mais aplicados e que mais lesarão os brasileiros em 2026.

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5 Golpes Digitais Chocantes que Vão Atingir o Brasil em 2026 (Revelados por um Especialista)

Na era digital, a sensação de estar a um clique do desastre é uma ansiedade compartilhada. A cada dia, um novo esquema surge, transformando nosso mundo online em um campo minado de enganos. Mas e se pudéssemos ver a próxima onda de ataques antes que ela se formasse?

Essa é a proposta do Dr. José Antônio Milagre, advogado e perito especialista em crimes cibernéticos. Com base em sua vasta experiência e pesquisa contínua, ele elabora anualmente uma lista que prevê as fraudes mais perigosas do futuro. Para ele, a informação é a principal arma dos cidadãos, preenchendo uma lacuna crítica deixada pelo poder público.

“[A] informação é essencial. [Isso] deveria ser papel governamental, [mas] o governo não sabe nada sobre isso, o governo não está preocupado com isso. Razão pela qual nós estamos aqui, fazendo o papel que deveria ser, pela lei 12965 de 2014, um papel governamental.”

Este artigo destaca os 5 golpes mais surpreendentes e sofisticados da lista do Dr. Milagre para 2026. São fraudes que se aproveitam de tecnologias emergentes e táticas psicológicas inesperadas para enganar até os mais atentos.

O Governo Contra Você — A Fraude do Acesso ao GOV.BR

1. Quando o portal do governo se torna a porta de entrada para o crime.

O primeiro golpe da lista é descrito como um dos mais catastróficos. Nele, criminosos obtêm acesso à conta GOV.BR da vítima, que centraliza dezenas de serviços públicos essenciais. A escala do problema é tão grave que, segundo o especialista, há registros de contas de membros do Poder Judiciário sendo comprometidas, evidenciando a audácia e o alcance dos fraudadores.

O impacto é imenso. Uma vez dentro da conta, os criminosos podem:

Este golpe é tão perigoso porque transforma a conveniência da centralização de serviços em um ponto único de falha. O que foi criado para facilitar a vida do cidadão se torna uma ferramenta poderosa nas mãos de criminosos, com consequências que podem levar meses ou anos para serem revertidas.

Como se proteger:

Sua Própria Voz Como Arma — O Golpe da “Ligação Muda”

2. O perigo no silêncio: como um simples “Alô” pode ser usado contra você.

Imagine receber uma ligação, atender e não ouvir nada do outro lado. A maioria das pessoas desliga, irritada com o que parece ser um erro ou spam. No entanto, este é o mecanismo de um golpe cada vez mais comum: a “ligação muda”. O único objetivo do criminoso é gravar um fragmento da sua voz — especialmente o “Alô” inicial.

Este áudio curto é então usado como matéria-prima para criar um deepfake de voz com inteligência artificial. Com sua voz clonada, o fraudador pode se passar por você para autorizar transações financeiras, enganar familiares em outros golpes ou até mesmo fazer reservas em companhias aéreas, burlando sistemas de segurança baseados em biometria de voz.

O aspecto mais contraintuitivo deste golpe é que a ameaça não está no que é dito, mas no silêncio. A sua resposta automática e despretensiosa é a única coisa que o criminoso precisa para transformar sua própria voz em uma arma contra você.

Como se proteger:

Justiça Falsa — A Fraude em Nome do Poder Judiciário

3. A armadilha que usa o nome da lei para lesar cidadãos.

Este golpe explora a confiança e, muitas vezes, a ansiedade de pessoas que possuem processos correndo na justiça. Estelionatários se passam por advogados, oficiais de justiça ou servidores de tribunais para aplicar fraudes altamente convincentes.

Os métodos são variados e sofisticados. Os criminosos:

O impacto psicológico deste golpe é profundo, pois ele abala a confiança da vítima em uma das instituições mais fundamentais da sociedade: o Poder Judiciário. A orientação do especialista é clara e direta:

“O tribunal não exige pagamento via WhatsApp. Consulte sempre o número oficial do processo no site oficial, desligue o telefone, procure o contato oficial do seu advogado [e] não pague absolutamente nada.”

O Rosto Roubado — Furto de Identidade com Ataques Faciais

4. Mais que uma selfie: sua biometria facial na mira dos fraudadores.

Sua selfie ou a foto do seu documento não são apenas imagens; são dados biométricos. Neste golpe, criminosos coletam fotos, vídeos e documentos roubados da vítima para burlar sistemas de verificação facial. Usando inteligência artificial, eles criam deepfakes capazes de enganar até mesmo sistemas que exigem prova de vida (como piscar ou virar o rosto).

O especialista alerta que muitos bancos ainda não estão preparados para esse tipo de ataque, pois a IA consegue dar “vivacidade” (liveness) a uma foto estática, tornando a fraude quase indetectável. Com a biometria facial da vítima em mãos, os criminosos abrem contas bancárias, criam empresas de fachada e solicitam empréstimos.

Esta ameaça é particularmente chocante porque transforma o que consideramos nosso identificador pessoal mais exclusivo — nosso rosto — em uma chave mestra para o crime, tornando a prova de identidade algo extremamente vulnerável.

Como se proteger:

A Fraude “Juridicamente Válida” — O Golpe do E-CPF/E-CNPJ

5. O golpe sofisticado que transforma você em criminoso sem que você saiba.

Descrito como um golpe emergente e “altamente sofisticado”, esta fraude representa o ápice da engenharia social e do abuso de tecnologia. Criminosos usam dados pessoais vazados para emitir certificados digitais legítimos (E-CPF ou E-CNPJ) em nome da vítima, sem que ela saiba.

Este certificado concede ao fraudador um verdadeiro “poder de representação digital”, permitindo que ele se torne a vítima em qualquer interação digital juridicamente vinculativa. Com ele, o criminoso pode:

O que torna este golpe o mais assustador é que a fraude é “juridicamente válida até ser contestada”. Segundo o especialista, um certificado digital “goza hoje de não repúdio” e é “irretratável”, o que significa que uma assinatura feita com ele é legalmente autêntica e não pode ser facilmente negada. Isso coloca sobre a vítima todo o ônus de provar sua inocência e o trabalho monumental de reverter os danos causados.

Como se proteger:

Conclusão: A Vigilância é a Nossa Melhor Defesa

Os golpes digitais estão evoluindo de simples truques para operações complexas que combinam tecnologia de ponta com manipulação psicológica. Como mostram as previsões, as futuras ameaças mirarão não apenas nosso dinheiro, mas nossa identidade digital, nossa voz e nosso rosto.

A mensagem do especialista não é de medo, mas de empoderamento. Em um ecossistema onde criminosos transformam nossa própria identidade em arma, a conscientização proativa não é mais opcional — é nossa principal defesa. Compartilhar essa informação se torna um dever de todos.

Em um mundo onde sua voz, seu rosto e sua assinatura digital podem ser roubados, como podemos redefinir a confiança online?

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