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Tendência de oficiais altamente qualificados do Exército Brasileiro pedirem demissão de suas carreiras

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Crise de Atração e Riscos à Soberania Nacional: O Êxodo de Oficiais Qualificados das Forças Armadas

As recentes ocorrências de demissões nas Forças Armadas Brasileiras, particularmente entre oficiais de carreira em posições elevadas e altamente especializadas, apontam para uma crise profunda na atratividade da carreira militar. Este movimento, que se tornou mais frequente do que se imagina, levanta um alerta grave sobre a perda de capital humano e os riscos consequentes à segurança nacional.

O Preço da Saída e a Perda de Investimento

Um dos casos mais emblemáticos é o de um Major de Infantaria, com 19 anos de serviço e apenas 12 anos restantes para a reserva remunerada integral. Este Major, formado na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), optou por pedir demissão da carreira e, notavelmente, teve que pagar uma indenização à União Federal. O valor pago indeniza as despesas efetuadas com sua formação, preparação ou cursos frequentados.

O Major preferiu pagar para sair do que permanecer os anos restantes para garantir a aposentadoria integral. Ele deixou o Exército para tomar posse em um concurso para analista na Agência Nacional de Mineração (ANM). O fato de um major de infantaria, combatente, com quase duas décadas de serviço, preferir pagar para sair para um concurso de analista — que não está no patamar dos “top” concursos, como Auditor da Receita ou Juiz — deveria “espantar” o alto comando. Se alguém nos “altos coturnos” não está entendendo que existe algo muito errado nas Forças Armadas, está desconectado da realidade.

O Desinteresse da Elite e a Desvalorização

O êxodo não se limita à área de Infantaria. Oficiais altamente especializados, como um Capitão engenheiro militar formado no Instituto Militar de Engenharia (IME) – uma das melhores faculdades do país – também pediram demissão. Este capitão, que representa um grande investimento em qualificação, passou para o cargo de Auditor Fiscal do Trabalho. Outros exemplos de demissões incluem um Capitão Padre do Serviço de Assistência Religiosa do Exército (Sarex), capitães médicos e um capitão de Intendência.

A principal reflexão é que as Forças Armadas não são mais percebidas como uma carreira de Estado atraente. Diferentemente de auditores, diplomatas ou policiais federais, onde é difícil ver servidores com 10 ou 15 anos de carreira estudando para outros concursos, a maioria dos militares hoje estaria buscando formas de sair, seja estudando ou empreendendo em paralelo. A carreira militar tem sido desvalorizada e ficado “muito para trás” nos últimos anos.

O Risco Estratégico: Infiltração Criminosa

A desvalorização contínua das Forças Armadas tem uma consequência perigosa para a soberania nacional: a queda da régua e o rebaixamento do muro de entrada. Ao perder o “melhor material humano” para outras carreiras, o risco é que a qualidade dos ingressantes diminua.

Há o risco de que as Forças Armadas sejam dominadas pelo tráfico e por facções criminosas. Estas facções poderiam estar vendo a brecha, percebendo que o “muro está baixinho” e que a média da prova de acesso (como a ESA) nunca foi tão baixa. A estratégia seria pagar cursinhos para seus integrantes jovens ingressarem e obterem formação militar.

Colocar seus membros dentro da instituição é uma forma de obter acesso a treinamento, armamento, munição e explosivos, sendo mais fácil do que cooptar militares já existentes, o que é um processo “caro”. A gravidade da situação reside no fato de que estamos falando da defesa da soberania nacional. Se não houver uma intervenção e um olhar crítico, existe um grande risco de as Forças Armadas serem dominadas pelo crime organizado, que já está presente em outras esferas de poder.

É fundamental que haja uma compreensão da gravidade da situação, pois, enquanto dezenas de sargentos e oficiais de carreira buscam a demissão, a carreira perde atratividade e corre o risco de ser preterida, sendo desmontada e destruída.

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