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Estudo sobre o livro de João: capítulo 07

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Jesus na Festa dos Tabernáculos: Uma Análise de João Capítulo 7

O capítulo 7 do Evangelho de João nos transporta para um cenário de grande efervescência religiosa em Jerusalém: a Festa dos Tabernáculos. Este capítulo é marcado por uma crescente tensão em torno da identidade de Jesus, o ceticismo de seus próprios irmãos, as divisões entre a multidão e a hostilidade das autoridades religiosas.

A Decisão de Ir a Jerusalém (João 7:1-9)

O capítulo começa com Jesus permanecendo na Galileia, evitando a Judeia porque os judeus dali procuravam matá-lo. Seus irmãos, no entanto, o instigam a ir à Festa dos Tabernáculos em Jerusalém para se manifestar publicamente e mostrar suas obras, pois “ninguém que procura ser conhecido age em oculto” (João 7:4). Curiosamente, o texto ressalta que nem mesmo seus irmãos criam nele (João 7:5).

Jesus, no entanto, recusa-se a ir no tempo deles, afirmando que “o meu tempo ainda não é chegado, mas o vosso tempo sempre está pronto” (João 7:6). Ele explica que o mundo o odeia porque ele testifica que as obras do mundo são más. Assim, após seus irmãos terem partido para a festa, Jesus também vai, mas não abertamente, e sim como que em oculto (João 7:10).

Discussão e Divisão na Multidão (João 7:10-31)

Em Jerusalém, os judeus o procuravam na festa, perguntando: “Onde está ele?” (João 7:11). Havia muita murmuração entre a multidão a respeito dele. Alguns diziam: “Ele é bom.” Outros, porém, diziam: “Não, antes engana o povo” (João 7:12). Ninguém falava dele abertamente, por medo dos líderes judeus.

No meio da festa, Jesus sobe ao templo e começa a ensinar, causando admiração pela sua sabedoria, visto que não havia estudado (João 7:14-15). Jesus, então, explica a origem de seu ensino: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (João 7:16). Ele os confronta sobre seu desejo de matá-lo e sobre o julgamento injusto que faziam (João 7:19-24), citando a cura no sábado em Betesda como exemplo de sua hipocrisia.

Ainda assim, a dúvida persiste: “Este não é aquele a quem procuram matar? E eis que ele fala abertamente, e nada lhe dizem. Será, porventura, que os príncipes sabem, na verdade, que este é o Cristo?” (João 7:25-26). Mas o povo acreditava que, quando o Cristo viesse, ninguém saberia de onde ele era, e Jesus vinha de Nazaré. Jesus responde a essa objeção, afirmando que eles o conheciam, mas que Ele viera daquele que é verdadeiro, o Pai, a quem eles não conheciam (João 7:28-29). Muitos, então, creram nele por causa dos sinais que fazia (João 7:31).

A Busca das Autoridades e a Promessa do Espírito (João 7:32-52)

Os fariseus e os principais sacerdotes, percebendo a crescente popularidade e o ensino de Jesus, enviam guardas para prendê-lo (João 7:32). Jesus lhes diz que estaria com eles por pouco tempo e depois voltaria para aquele que o enviou, e que eles o procurariam, mas não o achariam, e onde ele estaria, eles não poderiam ir (João 7:33-34).

No último e grande dia da festa, Jesus se levanta e proclama em alta voz: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.” (João 7:37-38). O evangelista João explica que isso disse ele a respeito do Espírito que haviam de receber os que nele cressem (João 7:39). Esta é uma das mais belas promessas de Jesus sobre o Espírito Santo.

Esta declaração novamente provoca uma divisão entre a multidão. Alguns diziam: “Este é verdadeiramente o Profeta.” Outros: “Este é o Cristo.” E outros ainda: “Porventura, virá o Cristo da Galileia?” (João 7:40-41). A controvérsia sobre a origem de Jesus impediu muitos de crerem nele, cumprindo a profecia de que o Cristo viria de Belém.

Os guardas enviados para prendê-lo retornam de mãos vazias, explicando: “Nunca homem algum falou assim como este homem!” (João 7:46). Os fariseus, indignados, os repreendem, questionando se eles também haviam sido enganados e se algum dos príncipes ou fariseus havia crido nele (João 7:47-48).

Nesse momento, Nicodemos, um fariseu que havia ido a Jesus à noite (João 3), argumenta em favor de Jesus, perguntando: “Porventura, a nossa lei julga alguém, sem primeiro o ouvir e saber o que fez?” (João 7:51). Eles, porém, o repreendem, dizendo que da Galileia não se levanta profeta (João 7:52), demonstrando sua ignorância das Escrituras.

Conclusão

João 7 retrata um período crucial no ministério de Jesus, onde a tensão aumenta à medida que sua popularidade cresce e ele confronta abertamente as crenças e a hipocrisia dos líderes religiosos. A Festa dos Tabernáculos serve como pano de fundo para as profundas declarações de Jesus sobre sua origem divina, a promessa do Espírito Santo e a inevitável divisão que sua mensagem provoca. O capítulo destaca a cegueira espiritual daqueles que se recusam a crer, mesmo diante de evidências claras e de seus próprios preconceitos.

Link para o capítulo na Bíblia Online (ACF):  João 07 


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