Há palavras que não morrem. Elas atravessam o tempo, rompem o silêncio da morte e se assentam no coração humano como sementes de eternidade. Foi assim com o pedido de Isabel Veloso, uma jovem de apenas 19 anos, que, diante da finitude, escolheu deixar ao mundo um testamento de amor à vida. “Só viva. Respira por mim o que eu não pude respirar. Viva por mim o que eu não pude viver. Ame o que eu não pude amar.” Não são apenas palavras. São uma convocação. Um chamado à responsabilidade de viver com propósito, com gratidão, com entrega.
Isabel não foi vencida pelo câncer. Ela o enfrentou com a dignidade dos santos e a lucidez dos sábios. Desde os 15 anos, sua juventude foi marcada por hospitais, exames, dores e esperanças. Mas sua alma permaneceu livre. E foi dessa liberdade que brotou sua mensagem. Ela não pediu que a chorássemos. Pediu que vivêssemos. Que respirássemos com mais consciência. Que amássemos com mais profundidade. Que não desperdiçássemos o dom que ela, tão jovem, teve de entregar.
Em tempos em que a vida é tratada como descartável, em que a cultura do efêmero e do prazer imediato sufoca o sentido do existir, Isabel nos lembra que viver é um ato sagrado. Não se trata de sobreviver, mas de viver com inteireza. De olhar nos olhos de quem amamos e dizer “eu estou aqui”. De abraçar nossos filhos como quem segura o céu nos braços. De agradecer pelo pão, pelo sol, pela chuva, pelo tempo que ainda temos.
A dor da perda é real. Lucas, seu esposo, e o pequeno Arthur, seu filho, carregam agora a ausência que só o amor verdadeiro conhece. Mas também carregam a herança de uma mulher que, mesmo na fragilidade, foi gigante. Que, mesmo na morte, ensinou a viver. E nós, que ouvimos sua voz embargada naquele podcast, não podemos mais fingir que não escutamos. Não podemos mais viver no automático, como se o tempo fosse infinito.
A vida é breve. Mas a eternidade começa agora, no modo como escolhemos viver cada instante. Isabel nos ensinou que amar é urgente. Que respirar é um privilégio. Que viver é uma missão. E que, mesmo quando tudo parece escuro, há uma luz que não se apaga: a luz da alma que ama até o fim.
Que cada passo nosso seja uma resposta ao seu pedido. Que cada gesto de ternura, cada escolha pela verdade, cada renúncia ao egoísmo, seja um “sim” ao seu legado. Porque viver por Isabel não é apenas continuar. É transformar. É elevar. É consagrar a vida como dom e missão.
Respiremos por ela. Vivamos por ela. Amemos por ela. E, assim, talvez, possamos tocar o céu com os pés no chão.
fonte: Linkedin
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